Secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas com Deficência, Ana Sofia Antunes
 
2017-07-28 às 09:23

GOVERNO CRIA QUATRO UNIDADES DE SAÚDE MENTAL PARA CRIANÇAS E JOVENS NO SISTEMA DE ACOLHIMENTO

A Secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, anunciou que serão criadas até ao final do ano quatro unidades de acolhimento de saúde mental para crianças e jovens acolhidos em instituições.

A Secretária de Estado, que fez o anúncio à imprensa, acrescentou que estas unidades fazem parte «das respostas que a Segurança Social tem vindo a procurar encontrar com o Ministério da Saúde ao nível da saúde mental», no âmbito da rede de cuidados continuados integrados de saúde mental, para apoiar os jovens que chegam ao sistema de acolhimento.

«Passaremos a ter quatro unidades de acolhimento em saúde mental especificamente criadas, pensadas, vocacionadas para receber jovens com este tipo de problemáticas», disse.

Dos 8175 crianças e jovens que estavam acolhidas em 2016, 2227 (27%) apresentavam problemas de comportamento e 20% tomavam medicação regular, no âmbito do seu acompanhamento psiquiátrico e/ou psicoterapêutico.

Para dar uma resposta mais especializada a estes problemas foram assinados dois acordos de cooperação com o Ministério da Saúde para a criação de respostas de acolhimento em saúde mental e serão assinados outros dois até ao final do ano.

Educação

Por outro lado, as crianças e os jovens que entram no sistema de acolhimento também necessitam de apoio ao nível da educação: «Compete-nos apoiá-los, formá-los no sentido de saberem como fazer face a esta nova realidade que tem tendência para se manter e apoiá-los ao nível da revisão e da remodelação das estratégias de trabalho com estes jovens».

Nesta medida e no âmbito do Plano de Caracterização Anual da Situação de Acolhimento das Crianças e Jovens para 2017 foi estabelecido um acordo com o Ministério da Educação para «melhorar o apoio prestado a nível educativo» a estas crianças e adolescentes.

Neste âmbito, está a ser criado um modelo técnico para capacitar os professores, interventores e equipas educativas das casas de acolhimento. O acordo prevê ainda o reforço da adequação do perfil dos professores contratados para apoiar as crianças, na sequência das necessidades identificada, havendo também a perspetiva do reforço educativo.

«Se conseguirmos melhorar o acompanhamento escolar às crianças mais jovens isso irá condicionar positivamente todo o seu percurso escolar subsequente», salientou Ana Sofia Antunes.

Também para os adolescentes que chegam ao sistema de acolhimento é preciso encontrar metodologias alternativas para os reconduzir à escola, o que é um «processo exigente e desafiante» que implica despertar-lhes o interessar pela escola.

A generalidade das crianças e jovens em acolhimento estão integrados na escola e a larga maioria frequenta a escola nos seus distintos ciclos de ensino básico e pré-escolar.

Segundo o Relatório de Caracterização Anual da Situação de Acolhimento das Crianças e Jovens de 2016, divulgado hoje, manteve-se em 2016 um claro predomínio (69,4%) de adolescentes e jovens adultos (com idades entre os 12 e os 20 anos) no sistema de acolhimento.

O facto de o sistema se acolhimento se caracterizar por uma forte afluência de adolescentes, cria uma problemática adicional de problemas de comportamento, pois, muitos deste jovens chegam com hábitos de vida desregrados e desviantes, o que constitui um desafio com o qual as casas de acolhimento têm de aprender a lidar.

Tags: saúde, solidariedade, educação