Um ano de Governo, 24 junho 2012
 
2012-06-24 às 19:41

AS «METAS A QUE PORTUGAL SE PROPÔS ESTÃO A SER ATINGIDAS» E «AS PREOCUPAÇÕES EM SALVAGUARDAR AS POLÍTICAS SOCIAIS» TÊM SIDO MANTIDAS

«Os resultados que, ao fim de um ano, alcançámos mostram que, no essencial, o caminho que traçámos tem vindo a ser trilhado com determinação e que os objectivos e metas a que Portugal se propôs estão a ser atingidos, e, em simultâneo, que as preocupações em salvaguardar as políticas sociais se vêm cumprindo apesar das evidentes dificuldades», afirmou o Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho numa declaração proferida no final da reunião do Conselho de Ministros que assinalou um ano de Governo, e que contou também com a presença dos Secretários de Estado. A declaração do Primeiro-Ministro foi acompanhada por outra do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

O Primeiro-Ministro referiu também aspetos que não correram como esperado, quer positivos - «o ajustamento obtido ao nível do nosso défice externo foi, apenas ao fim de um ano, bastante melhor»; «a quebra do nível de actividade económica também foi menos negativa»; «a actividade económica não caiu tanto como se previa graças sobretudo ao bom nível das nossas exportações» - quer negativos - «o nível de desemprego registado foi infelizmente superior» e «os encargos públicos com esta situação têm vindo a crescer»; a receita fiscal relacionada com os impostos indirectos, sobretudo o IVA, decresceu; «a nossa procura interna caiu mais do que o esperado e isso implica mecanicamente que o IVA não aumente tanto como o esperado».

«Em resumo - afirmou -, se nuns aspectos as coisas correram melhor do que previsto e noutros aspectos pior, isso não significa que não estejamos a caminhar na direcção certa e de que os resultados não sejam globalmente positivos, como é importante que aconteça e como os nossos credores externos têm reconhecido regularmente».

O Primeiro-Ministro afirmou a sua clara «consciência das enormes dificuldades que rodeiam todo o processo de ajustamento e dos riscos que lhe estão associados», «que há custos enormes que lhe são inerentes e que a sua persistência nos deve inquietar, e não conduzir à resignação», referindo-se «em concreto ao desemprego que, sendo uma consequência esperada da crise económica que acompanha o ajustamento em curso, nem por isso deixa de ser uma chaga social que exige acção e programas adequados». Mas, «o nível de desemprego não é simplesmente o resultado das políticas de correcção do défice público», pois, «dado que o país não pode viver com um elevado défice sem com isso cair em profunda crise e que esta crise eclodiu por causa de uma dívida e de um défice que se tinham tornado exorbitantes, não podemos confundir os sintomas da crise, como o desemprego, com as políticas de ajustamento que atacam e combatem as causas da crise».

Todavia, deixou claro que «por mais duro que seja, e é uma realidade bastante dura, não há em parte nenhuma do mundo forma de vencer uma crise económica associada a défices excessivos e a dívidas insustentáveis sem problemas sociais ou sem políticas restritivas. Se houvesse, não existiria governo nenhum que não poupasse os seus cidadãos às dificuldades das crises e, no limite, todas as crises seriam evitadas com políticas de estímulo à economia e ao gasto público. Mas, justamente, foram essas políticas que puseram em causa o nosso modelo de bem-estar limitaram a nossa autonomia e trouxeram a crise».

«A emergência económica, financeira e social não está vencida mas estamos hoje bem mais próximos de a ultrapassar, tal como é amplamente reconhecido nas instâncias internacionais», referiu ainda, acrescentando que «as Reformas estruturais são a principal justificação e força motriz da acção política do Governo. Nunca é demais recordá-lo. Não estamos aqui apenas para remediar uma emergência transitória, mas para criar condições duradouras para a prosperidade futura dos Portugueses e para abrir a sociedade portuguesa ao mundo».

«Naturalmente, o sucesso da nossa transformação não depende apenas de nós. Há variáveis externas muito influentes que não dominamos e que podem facilitar ou dificultar o nosso caminho. Mas apesar disso, o nosso caminho, para termos sucesso, não pode ser outro, nem pode ser conduzido ou trilhado por outros que assumissem as responsabilidades que são nossas».

O Primeiro-Ministro assinalou também «algumas das nossas metas mais importantes para o futuro»:

  • «prosseguir e reforçar o processo de privatizações, diminuindo a dívida pública e atraindo mais investimento para a economia portuguesa, sem esquecer as vantagens que o investimento estrangeiro traz para o aumento da concorrência, das transferências de conhecimento e do desenvolvimento de processos de inovação».
  • «transpor as regras do tratado orçamental para a ordem jurídica nacional, de modo a garantir que a dívida pública que vivemos não se repetirá».
  • «prosseguir a reforma do Estado e da Administração»
  • «completar a reforma da área da justiça»
  • «programas direccionados para a revitalização da nossa economia cuja execução rápida, e respectivas monitorizações e avaliações, importa agora garantir»
  • «diversificação das fontes de financiamento da nossa economia, com a reprogramação do QREN, e o desenvolvimento de instrumentos que envolvam o sector privado, como as instituições de private equity e o capital de risco».
  • «prosseguir a agenda de melhoria dos níveis de concorrência e abertura da economia e de redução de rendas excessivas que distorcem a nossa economia, protegem privilégios injustificados entre nós e representam encargos muito pesados para todos e para o futuro».
  • «garantir a sustentabilidade do SNS para o futuro, sem nunca pôr em causa o direito social e constitucional de acesso a cuidados de saúde de qualidade»
  • «continuar o movimento já iniciado para uma maior autonomia pedagógica e organizativa das escolas, atribuindo mais responsabilidades e dando maior agilidade a toda a comunidade escolar: professores, alunos, encarregados de educação e pessoal não-docente».
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