A possibilidade de saída da Grécia do euro «não foi uma matéria
que tenha sido tratada nesta reunião», afirmou o Primeiro-Ministro
Pedro Passos Coelho no final da reunião informal de Chefes de
Estado e de Governo da União Europeia, em Bruxelas. «Julgo que há
uma intenção clara de não interferir no processo eleitoral na
Grécia», acrescentou, referindo-se à situação no país, onde, após
as eleições de 6 de maio, não foi possível formar governo, estando
já agendadas novas eleições legislativas para 17 de junho.
O Primeiro-Ministro fez suas as palavras do presidente do
Conselho Europeu Herman van Rompuy que, numa declaração no final da
reunião informal, afirmou que os líderes europeus querem «que a
Grécia permaneça na Zona Euro e respeite os seus compromissos».
O encontro destinava-se a preparar a cimeira de 28 e 29 de
junho, que poderá tomar decisões sobre uma estratégia para o
crescimento sustentável e criação de emprego - tal como ficara
delineado no Conselho Europeu de dezembro -, e depois dele o
presidente do Conselho, Herman van Rompuy, e a Comissão Europeia,
dispõem de «um leque muito mais alargado de instrumentos de
discussão, que habilitarão o próximo Conselho Europeu a ir mais
longe na elaboração» dessa estratégia, afirmou o
Primeiro-Ministro.
Houve «um debate extremamente intenso e frutuoso» que «nos
permitiu aproximar a todos», afirmou o Primeiro-Ministro,
acrescentando que «o objetivo na UE e no Conselho Europeu não é
alinhar o pensamento de toda a gente pela mesma bitola», mas criar
um consenso suficiente para fazer progredir a Europa.
A questão das euro-obrigações (eurobonds) foi discutida na
reunião informal de Bruxelas numa perspetiva de longo prazo.
Portugal defendeu que a emissão conjunta de obrigações europeias
«não é resposta para a situação atual», tal como a maioria dos
países, que considera que a ideia não é exequível no imediato, mas
apenas no quadro de uma maior integração financeira, económica e
política.
«Eu defendi o que tenho defendido em público: creio que os
eurobonds não são uma resposta para a situação atual», afirmou o
Primeiro-Ministro, acrescentando que o Governo não tem uma posição
de princípio contra a ideia, mas que não é a solução para os
problemas com da Europa, e da zona euro. A emissão de eurobonds foi
proposta pela França, após a eleição do novo Presidente, François
Hollande.