O Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho afirmou que «o
Presidente Hollande será uma das vozes importantes para ajudar a
resolver o contexto de incerteza» na zona euro, decorrentes de
«variáveis externas ao País, que não controlamos», como a
necessidade de financiamento da economia e o aumento da pressão dos
mercados sobre o conjunto da zona euro, no final de uma reunião com
o Presidente da República de França, François Hollande, em Chicago,
Estados Unidos, antes da Cimeira da NATO, na qual ambos
participam.
Os dois dirigentes políticos encontraram «uma boa base de
trabalho» para dar prioridade ao estímulo do financiamento à
economia para aumentar o crescimento económico, sem aumentar
despesa pública. Houve também «muita convergência» em que o
crescimento económico não deve vir por via da despesa pública, mas
por reformas e estímulo do financiamento à economia: «Precisamos de
ser mais competitivos e isso exige reformas estruturais em Portugal
e na Europa e precisamos de ter dispositivos comuns (...) que nos
permitam canalizar o financiam necessário, não para os Estados, mas
para a economia dos diversos países».
O Primeiro-Ministro afirmou que o Programa de Assistência
Económico e Financeiro assinado com a troika CE-BCE-FMI está a ser
cumprido com sucesso, o que é reconhecido internacionalmente,
recordando que a disciplina e o rigor orçamental fazem parte da
estratégia de crescimento de Portugal. «Portugal não precisa de
mais tempo» para o programa de ajustamento - reiterou , mas sim de
melhores condições de financiamento à economia, o que tem sido
analisado com a troika. Apesar do reforço do financiamento do Banco
Central Europeu à banca portuguesa, «a maior parte das empresas
continua a ter uma extrema dificuldade em aceder ao crédito».
O Primeiro-Ministro afirmou que «não há esforços de contenção,
disciplina orçamental, rigor e reformas estruturais bem sucedidas
se as empresas não acederem a financiamento. Este é o aspeto que
deve ser visto com mais cuidado, mesmo no contexto europeu». O
Governo vai continuar a levantar esta questão na União Europeia,
até que esta consiga «encontrar um mecanismo que assegure que a
liquidez que tem sido cedida aos bancos possa chegar à economia», o
que «até hoje ainda não aconteceu em Portugal, Espanha, Itália e
vários outros países que têm vivido em stress financeiro do lado da
economia real».
A continuação e, mesmo, o recrudescimento da pressão dos
mercados sobre a zona euro é negativa para Portugal e o novo
Presidente francês, François Hollande, pode ser aqui um aliado
importante: «É um esforço muito grande do País inteiro, que estamos
a fazer para cumprir o programa de ajustamento e estamos a
conseguir fazê-lo de forma muito satisfatória, mas há aspetos que
se relacionam com variáveis externas ao País que não controlamos»,
afirmou o Primeiro-Ministro, acrescentado ser sobre estas variáveis
«que devemos atuar em conjunto em termos europeus e o Presidente
Hollande será uma das vozes importantes para ajudar a resolver o
contexto de incerteza» na zona euro.
Na reunião verificou-se também que existe «uma visão comum de
ter as contas públicas em ordem, que o Presidente francês
compreende também», referiu o Primeiro-Ministro, acrescentando que
o Chefe do Estado francês «subscreve a ideia de que é preciso levar
a bom porto os esforços de consolidação orçamental», que hão de
permitir ao países da Europa «ser mais competitivos e poder crescer
no médio e longo prazo».