O Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, prestou uma homenagem
à literatura portuguesa e a autores de renome como Fernando Pessoa,
Manuel António Pina, Tolentino de Mendonça ou Gonçalo M. Tavares,
afirmando que a Cultura é importante para o Produto Interno Bruto
(PIB), porém, o seu valor «não se mede pelo montante da sua conta
no Orçamento do Estado».
Estas declarações foram feitas na entrega do prémio Leya 2011 ao
escritor João Ricardo Pedro pela obra «O teu rosto será o último»,
que decorreu no Palácio Galveias, em Lisboa.
Elogiando o percurso deste autor - um engenheiro que começou a
escrever na sequência de ter ficado desempregado, em 2009 - o
Primeiro-Ministro sublinhou que «as oportunidades, neste âmbito,
são essencialmente fruto da intenção individual».
Classificando de «prioridade estratégica inflexível» a língua
portuguesa, Pedro Passos Coelho afirmou ser «objetivo central» do
Governo conseguir «um salto qualitativo na proficiência dos alunos»
no uso do português, mas realçou que «os domínios do espírito e da
criatividade» não pertencem ao Estado.
«Portugal é, de facto, uma responsabilidade de todos nós, o
esforço que estamos a desenvolver coletivamente é uma atitude que
comporta uma exigência ética e política em prol da qualificação dos
portugueses e para este objetivo concorre decisivamente a Cultura
e, em particular, a literatura».
Considerando que «o desenvolvimento de hábitos de leitura é uma
das manifestações de um trabalho intenso pela melhoria da qualidade
de vida dos nossos concidadãos», o Primeiro-Ministro afirmou,
contudo, que este «deve começar […] pela adesão livre à
gratificante experiência que representa o ato irrepetível de
encontro com a escrita alheia».
Como explicou Pedro Passos Coelho, compete ao Estado
salvaguardar a Cultura «enquanto património nacional material e
imaterial, sem tentações paternalistas, pelo prosseguimento de
políticas públicas específicas vocacionadas para os distintos
equipamentos culturais disponíveis» e «através do fomento de
iniciativas privadas que estimulem a criatividade e a inovação nos
mais diversos setores das indústrias e atividades culturais».
Na entrega do prémio Leya 2011 estiveram presentes o presidente
da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, o presidente do júri
do prémio Leya, Manuel Alegre, e o comissário do Plano Nacional de
Leitura, Fernando Pinto do Amaral.