As Forças Armadas «têm de se preparar para os novos desafios e
novas conjunturas» uma vez que «as mudanças geoestratégicas,
tecnológicas e políticas não alteraram o essencial da vocação das
Forças Armadas, mas trouxeram a necessidade de reformar e
reestruturar as suas metodologias e estruturas», afirmou o
Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho, no discurso durante a visita
à Base Aérea do Montijo.
A instituição militar tem que se «preparar para os novos
desafios e novas conjunturas» - «esse trabalho já começou» -
exigindo «da parte de todos os envolvidos método, inteligência,
visão estratégica e um sentido agudo das realidades e das
restrições que pesam sobre o País», afirmou o Primeiro-Ministro,
acrescentando que «a prontidão, a agilidade, a flexibilidade dos
meios» são qualidades de uma «Defesa moderna e eficaz».
O Primeiro-Ministro referiu-se também à próxima reunião de
chefes de Estado e de Governo da Aliança Atlântica que vai
centrar-se na cooperação e partilha de equipamentos entre Forças
Armadas e na discussão de novas formas de otimizar a utilização de
recursos, dando corpo ao conceito de smart defense
(utilizado na NATO) e de pool and sharing (na União
Europeia). «São precisamente esses conceitos que irão ser
discutidos, aprofundados e operacionalizados na cimeira da Aliança
Atlântica que terá lugar em Chicago já nos próximos dias 20 e 21 de
maio e em que faço questão de participar».
Na cimeira, o Primeiro-Ministro vai «certamente valorizar o
papel das nossas Forças Armadas nas várias missões internacionais e
em projetos inovadores diversos que envolvem equipamentos e
capacidades de Defesa».
O Primeiro-Ministro elogiou o papel das Forças Armadas e em
particular da Força Aérea nos últimos trinta anos: «Sei que
represento todo o País quando exprimo a minha profunda gratidão por
serviços tão nobres, que muitas vezes estão expostos a perigos, dos
quais na vida civil nem sempre estamos bem conscientes», afirmou,
manifestando o «mais sincero apreço pela consciência corajosa e
pela disponibilidade para o sacrifício diariamente reveladas e
praticadas neste difícil momento da nossa vida coletiva».
«A Força Aérea Portuguesa tem sabido ao longo dos últimos trinta
anos adaptar-se às circunstâncias envolventes e gerar um produto
operacional de excelência que agora e aqui quero enaltecer. Numa
situação como a que vivemos, a Força Aérea não tem deixado de
manter um diálogo muito construtivo, com a apresentação de
propostas e a tomada de iniciativas colaborantes com os objetivos
nacionais», acrescentou.
«Permitam-me que termine estas palavras com um apelo direto às
Forças Armadas, que elas permaneçam fiéis a si próprias e às
virtudes que tão distintamente cultivam, a coragem, a honra, a
sacralidade do dever, a lealdade, o patriotismo, o serviço aos bens
comuns do povo português, por tudo isto sabemos que é devida uma
especial atenção e consideração ao tratamento da condição militar,
mas também é preciso dizer que neste momento difícil, de emergência
nacional, o país precisa das suas Forças Armadas», afirmou
ainda.
Na visita, o Primeiro-Ministro foi acompanhado pelo Ministro da
Defesa Nacional, Aguiar-Branco, e pelos chefes do Estado-Maior
General das Forças Armadas, Luís Araújo, e do Estado-Maior da Força
Aérea, José Pinheiro.
O Primeiro-Ministro afirmou que a Base Aérea do Montijo é uma
das pistas que poderá funcionar como apoio ao aeroporto da Portela,
em Lisboa: «Eu não vou anunciar aqui nenhuma decisão nessa matéria,
mas evidentemente que, dadas as circunstâncias em que vivemos no
nosso País, o Governo já teve ocasião de dizer que está a estudar
uma alternativa que nos permita fazer o funcionamento do aeroporto
da Portela durante um maior número de anos, o que necessitará
sempre de uma pista de apoio e, evidentemente, a Base Aérea do
Montijo é uma das possibilidades que não deixará de ser
estudada».
«Para não alimentar qualquer especulação direi apenas que sim,
que estamos a equacionar todos os cenários que nos permitam
utilizar o aeroporto da Portela durante um maior número de anos, de
modo a evitar que o país tenha de despender uma soma demasiado
avultada para um novo aeroporto, que esperemos não venha a ser
necessário sobretudo na próxima década», acrescentou.