2012-04-16 às 14:18

MUDANÇAS GEOESTRATÉGICAS, TECNOLÓGICAS E POLÍTICAS CRIARAM «NECESSIDADE DE REFORMAR E REESTRUTURAR METODOLOGIAS E ESTRUTURAS» MILITARES

As Forças Armadas «têm de se preparar para os novos desafios e novas conjunturas» uma vez que «as mudanças geoestratégicas, tecnológicas e políticas não alteraram o essencial da vocação das Forças Armadas, mas trouxeram a necessidade de reformar e reestruturar as suas metodologias e estruturas», afirmou o Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho, no discurso durante a visita à Base Aérea do Montijo.

A instituição militar tem que se «preparar para os novos desafios e novas conjunturas» -  «esse trabalho já começou» - exigindo «da parte de todos os envolvidos método, inteligência, visão estratégica e um sentido agudo das realidades e das restrições que pesam sobre o País», afirmou o Primeiro-Ministro, acrescentando que «a prontidão, a agilidade, a flexibilidade dos meios» são qualidades de uma «Defesa moderna e eficaz».

O Primeiro-Ministro referiu-se também à próxima reunião de chefes de Estado e de Governo da Aliança Atlântica que vai centrar-se na cooperação e partilha de equipamentos entre Forças Armadas e na discussão de novas formas de otimizar a utilização de recursos, dando corpo ao conceito de smart defense (utilizado na NATO) e de pool and sharing (na União Europeia). «São precisamente esses conceitos que irão ser discutidos, aprofundados e operacionalizados na cimeira da Aliança Atlântica que terá lugar em Chicago já nos próximos dias 20 e 21 de maio e em que faço questão de participar».

Na cimeira, o Primeiro-Ministro vai «certamente valorizar o papel das nossas Forças Armadas nas várias missões internacionais e em projetos inovadores diversos que envolvem equipamentos e capacidades de Defesa».

O Primeiro-Ministro elogiou o papel das Forças Armadas e em particular da Força Aérea nos últimos trinta anos: «Sei que represento todo o País quando exprimo a minha profunda gratidão por serviços tão nobres, que muitas vezes estão expostos a perigos, dos quais na vida civil nem sempre estamos bem conscientes», afirmou, manifestando o «mais sincero apreço pela consciência corajosa e pela disponibilidade para o sacrifício diariamente reveladas e praticadas neste difícil momento da nossa vida coletiva».

«A Força Aérea Portuguesa tem sabido ao longo dos últimos trinta anos adaptar-se às circunstâncias envolventes e gerar um produto operacional de excelência que agora e aqui quero enaltecer. Numa situação como a que vivemos, a Força Aérea não tem deixado de manter um diálogo muito construtivo, com a apresentação de propostas e a tomada de iniciativas colaborantes com os objetivos nacionais», acrescentou.

«Permitam-me que termine estas palavras com um apelo direto às Forças Armadas, que elas permaneçam fiéis a si próprias e às virtudes que tão distintamente cultivam, a coragem, a honra, a sacralidade do dever, a lealdade, o patriotismo, o serviço aos bens comuns do povo português, por tudo isto sabemos que é devida uma especial atenção e consideração ao tratamento da condição militar, mas também é preciso dizer que neste momento difícil, de emergência nacional, o país precisa das suas Forças Armadas», afirmou ainda.

Na visita, o Primeiro-Ministro foi acompanhado pelo Ministro da Defesa Nacional, Aguiar-Branco, e pelos chefes do Estado-Maior General das Forças Armadas, Luís Araújo, e do Estado-Maior da Força Aérea, José Pinheiro.

O Primeiro-Ministro afirmou que a Base Aérea do Montijo é uma das pistas que poderá funcionar como apoio ao aeroporto da Portela, em Lisboa: «Eu não vou anunciar aqui nenhuma decisão nessa matéria, mas evidentemente que, dadas as circunstâncias em que vivemos no nosso País, o Governo já teve ocasião de dizer que está a estudar uma alternativa que nos permita fazer o funcionamento do aeroporto da Portela durante um maior número de anos, o que necessitará sempre de uma pista de apoio e, evidentemente, a Base Aérea do Montijo é uma das possibilidades que não deixará de ser estudada».

«Para não alimentar qualquer especulação direi apenas que sim, que estamos a equacionar todos os cenários que nos permitam utilizar o aeroporto da Portela durante um maior número de anos, de modo a evitar que o país tenha de despender uma soma demasiado avultada para um novo aeroporto, que esperemos não venha a ser necessário sobretudo na próxima década», acrescentou.

Tags: defesa nacional

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