20120413 movimentos
 
2012-04-16 às 14:06

MOVIMENTOS FINALISTAS ESGRIMEM ARGUMENTOS

A encerrar a segunda fase da primeira edição de «O Meu Movimento», as sete moções finalistas desta iniciativa reuniram-se hoje na escola secundária Vergílio Ferreira, em Lisboa, para um debate de ideias com a moderação do jornalista João Adelino Faria.

O Movimento do Sérgio, pela abolição das corridas de touros, defende que estas devem ser banidas da sociedade civil, acabando de uma vez com aquilo que o autor considera um espetáculo pouco digno, tanto para os homens (que se divertem à custa do sofrimento dos animais), como para estes (pelas sevícias de que são vítimas). Apesar de estar desempregado, Sérgio considera que esta é uma causa prioritária por que se bater, já que estão em causa os direitos dos animais e vivemos, atualmente, numa sociedade civilizada. «A pensar nisso [noutros temas prioritários], isto nunca se discutia», remata Sérgio.

Pela defesa da disciplina de Educação Visual e Tecnológica (EVT), o presidente da Associação dos Professores de EVT (Apevt), José Alberto, dá a cara. E lamenta: «Criada com a reforma curricular de 1991, a cadeira estava agora a consolidar-se e querem acabar com ela». Já tendo, por diversas vezes, chegado à fala com dirigentes da área da Educação, a Apevt nunca teve - porém - o sucesso pretendido. Com a esperança que, não estando ainda vertido em Decreto-Lei o texto final da proposta legislativa que levará à extinção da disciplina, «e sendo um otimista», o Governo possa recuar, José Alberto pretende chamar a atenção para a importância que as matérias que leciona têm na formação dos alunos como cidadãos.

Em representação do movimento da Tânia, Cristina pretende a regulamentação da profissão de psicomotricista. Explicando que estes profissionais «veem o ser humano no seu todo», são pessoas que tratam, desde crianças precoces a dificuldades na aprendizagem, reabilitação social e saúde mental, entre outros problemas. Em suma, ajudam um leque vasto de pessoas de várias idades com vários tipos de dificuldades. Tendo já sido recebidos por membros dos ministérios da Saúde e da Educação, creem que uma audiência com o Primeiro-Ministro poderia ser o impulso necessário para atingir o seu objetivo.

O movimento do João, de que a escola é para ensinar e a família educa, afirma que «não se podem transferir para a escola responsabilidades que são da família». Admitindo que «a escola também educa», João diz que isso acontece «mas no sentido de desenvolver os valores que a família tem de dar». E porque, exatamente, hoje em dia as escolas têm essa dupla função - de ensinar e de educar - ficam muito limitadas naquela que é a sua tarefa primordial (a do ensino). Assim, João defende que a educação na escola se restrinja apenas às famílias destruturadas, que não têm possibilidade de acompanhar os filhos.

A Vera defende, no seu movimento, o fim do uso dos animais em circo. Argumentando que «esta é apenas uma parte do espetáculo», a autora acrescenta que «pode haver mais atrações no circo, para além dos números com animais». Sobre a eventualidade de abrir exceções a animais que, pela sua natureza, sejam mais domésticos, Vera é clara: «Gostava que fossem proibidas todas as espécies de animais nos circos, porque abrir exceções nunca funciona, a nível de fiscalização».

Pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), Emanuel criou um movimento que quer uma distribuição mais disseminada e uma carga horária mais pesada para esta disciplina. «É uma cadeira mal compreendida, porque há duas gerações diferentes, uma de imigrantes digitais, que se sentem desconfortáveis porque nasceram mais perto da dimensão analógica), e os nativos digitais», explica o docente. Defendendo que estas competências têm sido aprendidas à custa dos próprios alunos, através daquilo a que apelida de «educação informal», Emanuel diz que as TIC devem ser lecionadas no 5.º, 7.º e 10.º anos de escolaridade, para que não se criem, nos alunos, vícios de forma nos vários estados de aprendizagem. «Numa altura como a que vivemos, dotar os alunos de ferramentas intermédias é essencial para tornar esta geração competitiva».

Dos irmãos Máximo, Luís e João, vem o movimento que defende a possibilidade de dar resposta à difícil situação económico-financeira das nossas universidades, através da aplicação de um modelo existente no ensino superior de alguns países do centro e leste europeu, onde estudantes portugueses pagam entre cinco a 10 mil euros em valor anual de propinas. Através da criação de vagas suplementares no acesso ao ensino superior, suportadas na totalidade pelos alunos, seria possível aproveitar esse investimento financeiro para manter a qualidade do ensino, a manutenção dos centros de investigação, evitar a fuga de "massa cinzenta" e, mesmo, uma redução do valor das propinas nos alunos que entram pelo regime normal.

Da plateia, que contava com cerca de 200 alunos da escola, surgiram questões dirigidas aos vários movimentos:

  • (Movimento dos irmãos Máximo) Mas as empresas não valorizam mais uma experiência no estrangeiro?
  • (Movimento da Tânia) Quais as mais-valias para os beneficiários da psicomotricidade?
  • (Movimento da Apevt) Qual o futuro do ensino artístico e tecnológico?
  • (Movimento da Vera) Qual o fim dos animais de circo se estes acabarem?
  • (Movimento do Sérgio) A abolição das corridas de touros não atiraria muitas pessoas para o desemprego?
  • (Movimento do Sérgio) Existe alguma atividade passível de integrar os touros de lide mas onde os animais não sofram?
  • (Movimento do Emanuel) O programa das TIC justifica uma extensão da disciplina para três anos letivos?
  • (Movimento dos irmão Máximo) Como captar os alunos para faculdades nacionais se as internacionais são, em geral, mais garantísticas de emprego para o futuro?
  • (Movimento da Vera) Não é possível fazer circo sem animais em sofrimento?
  • (Movimento do João) Com tanto desemprego, como é que ainda se vai propor uma redução no horário laboral dos pais para que estes acompanhem a educação dos filhos em casa (já que a escola «só» os ensina)?

 «O Meu Movimento» foi uma iniciativa que arrancou no dia 9 de janeiro de 2012, tendo sido submetidos, até ao dia 29 de fevereiro, mais de mil movimentos.

No dia 1 de março foram apresentados os sete movimentos mais votados. A votação ainda decorre para apurar o movimento que irá reunir com o Primeiro-Ministro.

Movimentos finalistas esgrimem argumentos
«O Meu Movimento» - making off do debate

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