O Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho afirmou que os dois
autarcas nomeados para o grupo Águas de Portugal «são pessoas que
têm currículo e que são suficientemente prestigiadas no setor para
o Governo estar confortado com o trabalho que lá vão fazer»,
acrescentado que esta nomeação se destinou a resolver o problema
entre o grupo empresarial e os municípios: «Nós precisamos de
consolidar o setor, precisamos de o concessionar, de abrir o
capital a privados, mas temos de resolver um problema maior: temos
mais de 400 milhões de euros de dívida que os municípios têm à
Águas de Portugal, dívida que muitas vezes não teve em conta os
interesses, nem as necessidades dos municípios».
Por isto, «entendeu o Governo que, por esta razão em especial,
devia ter dois autarcas na nova administração que ajudassem a
resolver este problema. Teriam de ser, evidentemente, pessoas
prestigiadas, pessoas que junto das câmaras municipais conhecessem
o problema e ajudassem à sua resolução. Foi esta a opção que nós
tomámos e é uma opção muito transparente», afirmou o
Primeiro-Ministro.
O Primeiro-Ministro, que falava no final de uma intervenção na
conferência «Made in Portugal» organizada pelo jornal Diário de
Notícias, em Lisboa, afirmou que a Águas de Portugal fez, ao longo
dos últimos anos, grandes investimentos que comprometeram as
finanças e as tarifas praticadas pelos municípios, sem ter em conta
os seus interesses e as suas necessidades - problema do qual Passos
Coelho apercebeu quando foi presidente da Assembleia Municipal de
Vila Real. Os autarcas nomeados são o presidente da Câmara
Municipal do Fundão, Manuel Frexes, e do vice-presidente da Câmara
Municipal do Porto, Álvaro Castello-Branco - «pessoas que têm
currículo e que são suficientemente prestigiadas no setor para o
Governo estar confortado com o trabalho que lá vão
fazer».