XVII Governo Constitucional

2005-2009, José Sócrates

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Portugal introduz automóveis eléctricos em 2011 

 
2008-07-09
 

«A resposta a este choque petrolífero por parte de Portugal é bem clara: nós não aceitamos ficar parados, tudo vamos fazer para mudar o paradigma energético e tudo estamos fazer para que as futuras gerações não passem pelas dificuldades que estamos a passar» afirmou o Primeiro-Ministro na assinatura de um acordo entre o Governo e a aliança Renault-Nissan, em Lisboa, a 9 de Julho. O acordo destina-se à comercialização em Portugal de automóveis eléctricos, que serão lançados em larga escala em 2011, e à definição da respectiva rede de abastecimento.

O Governo está empenhado «em criar em Portugal um modelo com mais autonomia energética e que o torne menos dependente do petróleo», sublinhou José Sócrates, que acrescentou: «Sou de uma geração que viveu os três choques petrolíferos - e com que intensidade estamos a viver agora este terceiro choque petrolífero! Este memorando de entendimento com a Renault-Nissan é o sinal que não vamos ficar parados, tal como ficamos nos primeiro e segundo choque petrolífero», nos quais os ocidentais «muito falaram, mas nada fizeram, porque todas aceitaram pagar o imposto, que verdadeiramente é um imposto sobre toda a sociedade».

Portugal «não poderá ficar dependente de impostos que outros [no mercado internacional] decidam lançar. Queremos progredir para que Portugal não dependa tanto do petróleo. Trata-se de um longo caminho e justamente por causa disso é melhor começar a percorrê-lo já» disse ainda o PM, recordando que Portugal, nos últimos três anos, já se encontra no grupo da frente das nações europeias na produção de energias renováveis. «Quando estamos a falar de energias renováveis o que estamos verdadeiramente a dizer é que estamos a lutar pela independência nacional, pela autonomia energética, para tomarmos nós próprios as nossas decisões e não ficarmos dependentes de outros», sublinhou.

Portugal «pretende ser um laboratório dos futuros carros eléctricos», declarou Sócrates, que manifestou a abertura do País para receber investimentos neste domínio por parte de outros construtores automóveis. Nesta mudança, o País está «na linha da frente desta aventura com a Dinamarca e Israel». «Espero que, no futuro, possamos estar acompanhados pela Europa. Lamento que a Europa ainda não tenha apostado mais neste domínio e não esteja a ser mais ambiciosa, por que não podemos continuar passivos por muito mais tempo», declarou o Primeiro-Ministro.

Através do acordo assinado com a Renault-Nissan o Governo «proporcionará as condições para que o consumidor de um veículo eléctrico não tenha qualquer desvantagem em preços ou mobilidade».

O Governo comprometeu-se também a incentivar a criação de uma rede que permita ao consumidor abastecer sem dificuldade o seu carro eléctrico: «Penso que em pouco tempo seremos capazes de criar essas infra-estruturas para carregar ou substituir a bateria do carro eléctrico», disse Sócrates.  O acordo - que começou a ser negociado em Maio - prevê a criação de um consórcio liderado pelo Governo e pela Renault-Nissan para estudar em que moldes irá nascer a rede de infra-estruturas para troca ou carregamento das baterias utilizadas pelos veículos, envolverá também a EDP, as empresas auto-estradas, supermercados e banca, anunciou o Ministro da Economia e da Inovação, Manuel Pinho.

O Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Nunes Correia, referiu que a introdução de veículos limpos contribui em 30% para a solução dos problemas do consumo de petróleo e da produção de CO2.

O presidente da aliança Renault-Nissan, Carlos Ghosn, disse que «Portugal é o primeiro país onde está a ser testado um modelo empresarial para cumprir este objectivo. Seguir-se-á a Dinamarca e Israel e depois a Europa, EUA e Ásia», e que a empresa pretende massificar a comercialização destes veículos a nível mundial até 2012. Os automóveis terão, segundo as empresas «excelentes níveis de conforto, capacidade para transportar cinco passageiros e com uma autonomia de 160 quilómetros».

  • Energias renováveis, vídeo do Ministério da Economia e da Inovação
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