2009-06-29
O mais importante da aposta nos automóveis eléctricos é saber se Portugal «está na primeira linha dessas mudanças tecnológicas ou se espera, como esperou tantas vezes que a mudança viesse ter connosco», afirmou o Primeiro-Ministro em 29 de Junho, na sessão em que 21 municípios subscreveram o lançamento da rede nacional de carregamento para veículos eléctricos. José Sócrates acrescentou: «nós queremos estar no grupo da frente dos países que querem liderar a mudança».
«Queremos que Portugal esteja na linha da frente da mudança tecnológica que está em curso na área da energia e dos veículos eléctricos. Esta escolha permite tornar Portugal mais independente e mais autónomo do petróleo, mas também quer ter um ambiente melhor e dar um contributo para a redução das emissões de gases com efeito de estufa», acrescentou.
Neste sentido, Portugal está também envolvido, há cerca de um ano, numa competição internacional para receber a futura fábrica europeia de baterias da Nissan-Renault, destinada a alimentar carros eléctricos. O grupo automóvel vai construir três fábricas de baterias: uma no Japão, outra nos Estados Unidos e um terceira num país europeu ainda a decidir.
A escolha é a responsabilidade da empresa, e «naturalmente que temos expectativas, mas estamos a competir com o Reúno Unido, com França, com Espanha e com vários outros países. Todos estes países querem lançar-se nessa aventura dos carros eléctricos, e Portugal já está há um ano a trabalhar nisso».
Os municípios que assinaram o compromisso para o desenvolvimento de pontos de carregamento de baterias de veículos eléctricos foram: Lisboa, Porto, Coimbra, Sintra, Vila Nova de Gaia, Loures, Cascais, Almada, Braga, Guimarães, Leiria, Setúbal, Viana do Castelo, Aveiro, Torres Vedras, Santarém, Faro, Évora, Beja, Castelo Branco e Guarda. A rede piloto terá cem pontos de carregamento ainda em 2009 e cerca de 1300 em 2011, instalados em parques de estacionamento públicos, centros comerciais, bombas de gasolina, hotéis, aeroportos, garagens particulares e vias públicas.
O PM afirmou que o desenvolvimento da rede de mobilidade eléctrica «corresponde a uma escolha do Governo e a uma opção política». «Todos os que estamos nesta sala já passaram por três choques petrolíferos. Durante muitos anos assistimos ao diagnóstico que esses choques originavam, mas é agora altura de fazermos alguma coisa. Não quero ser de uma geração que passou por esses choques petrolíferos e não fez a aposta consequente com a consciência que todos temos que alguma coisa tem de mudar».
José Sócrates referiu ainda outros benefícios. «Quando o veículo eléctrico for adoptado nas cidades, estou certo que se produzirá uma redução do barulho e uma melhor qualidade de vida. Quando as cidades experimentarem viver com veículos eléctricos, sem emissões e sem barulho, jamais quererão voltar para trás».