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Nova imagem da promoção externa de Portugal 

 
2007-12-10
 

Intervenção do Ministro da Economia e da Inovação na apresentação da nova imagem da promoção externa de Portugal

O que hoje nos traz ao Pavilhão e Portugal é o objectivo de aumentar a notoriedade do nosso País através da comunicação de um conjunto de símbolos e de mensagens:

1. Os destinatários principais são os actuais e potenciais visitantes, os investidores e compradores de produtos portugueses.

2. Queremos lançar um movimento que ajude a criar uma percepção sensorial mais positiva quando se ouve falar de Portugal.

3. Trata-se de levar a que a imagem externa do nosso País ajude a trazer:

  • Mais turistas,
  • Mais investidores, e
  • Mais compradores dos nossos produtos.

Portugal é um País de que se aprende a gostar. Com os países passa-se o mesmo do que com as pessoas.

1. Há pessoas que conseguem criar uma imagem forte com facilidade. Mas, quando as conhecemos melhor, vemos que o seu valor não corresponde à imagem. Isso acontece com políticos, empresários e pessoas de todas as profissões. Paga-se caro porque provoca nos outros um sentimento de desilusão que, por vezes, é inultrapassável.

2. Com outras, sucede o contrário. Têm imenso valor, mas há sempre algo que as impede de sobressair. Quem está nessa situação sabe bem a frustração que isso cria.

3. Portugal está a meio caminho entre estas duas situações extremas.

  • O nosso País tem mais valor do que muitos dizem e pensam, mas passa relativamente desapercebido.
  • Tem traços antigos, mas também já tem traços modernos.
  • É preciso conhecer bem Portugal para se passar a gostar dele.

4. Em termos de imagem, esta situação é um problema no mundo globalizado em que vivemos. Mas é uma boa situação de partida para quem quer andar para a frente.

5. E há uma coisa que eu vos queria dizer olhos nos olhos. Estou aqui para andar para a frente.

Aliás, os inquéritos de opinião a quem visita Portugal são unânimes: à medida que se conhece melhor o nosso País, mais se gosta dele.

1. Somos um País bonito, seguro e onde as pessoas gostam de receber. André Jordan costuma dizer que Portugal tem uma «sofisticação simples».

2. Temos Historia.

  • Somos a Nação europeia que tem fronteiras estáveis há mais tempo
  • Fomos os protagonistas da 1ª experiência de globalização no séc. XVI.
  • Temos, até, o condão de manter uma excelente relação com povos que outrora colonizámos.
  • Quantos países não gostariam de ter uma História como a nossa?

3. Há portugueses que têm uma grande visibilidade a nível internacional. José Socrates é o actual Presidente do Conselho da UE, Durão Barroso o Presidente da Comissão e António Guterres o Alto-Comissário para os Refugiados da ONU.

4. Como se isto não fosse suficiente, temos conseguido deixar marcas importantes na Historia recente da Europa.

  • A política europeia para a competitividade tem o nome de Agenda de Lisboa.
  • O Tratado Reformador que vai ser assinado nos Jerónimos terá o nome de Tratado de Lisboa.

5. Pergunto-vos uma coisa: Que país não gostaria de inscrever o nome da sua capital no Tratado Reformador?

Tive oportunidade de discutir este projecto com muitas pessoas, que me dizem que ele é inovador. Talvez o seja nalguns aspectos.

  • É a 1ª vez que todas as instituições responsáveis pela promoção da imagem actuam de forma totalmente coordenada.
  • Há perfeita consciência de que este projecto é apenas o início de um processo que aponta para resultados a curto, a médio e a longo prazo.
  • À partida, sabemos quais são as próximas etapas e o papel específico de cada um no seu desenvolvimento.
  • Não há margem para a instituição X usar uma imagem num dia e a instituição Y usar no dia seguinte uma imagem totalmente diferente.
  • Testámos estas ideias junto de muitos especialistas internacionais.

A imagem central que vamos usar é a de «Portugal, costa Oeste da Europa» - Europe´s West Coast.

1. Pertencermos à Europa é uma marca positiva. É um mais.

  • Bem sei que há muitos euro-pessimistas. Mas eu lembro-lhes que a Europa é o maior exportador do mundo, que o Euro vale cada vez mais e que são europeus os líderes mundiais das telecomunicações, da farmacêutica e do sector automóvel.
  • Pertencermos à Europa dá-nos oportunidade de parecermos maiores do que efectivamente somos em vários domínios.

2. Sermos o país mais ocidental da Europa é outra marca positiva. Também é um mais.

  • No Sul da Europa, há países do Mediterrâneo, como a Espanha, a Itália, a Grécia e Chipre. Países mediterrânicos, há muitos.
  • Mais ocidental é que só há um. E esse país é Portugal.
  • Vamos capitalizar na imagem de Oeste, porque é uma imagem que está associada a valores positivos como descoberta, inovação e um estilo de vida agradável.

3. Creio que lançar esta campanha com base na imagem de «Portugal, costa Oeste da Europa» se trata de uma boa ideia.

Há um livro recente muito interessante chamado «The tipping point», «A chave do sucesso» em português, que estabelece um paralelo entre a forma como se espalham as mensagens e os vírus.

  • Primeiro, há o momento de contágio.
  • Depois, há um conjunto de pequenas mudanças. Não é preciso muitas mudanças para se produzir grandes resultados.
  • Finalmente, opera-se uma grande mudança. Uma grande mudança.

De facto, as grandes mudanças não costumam ocorrer de forma gradual. Parece haver sempre um ponto de viragem. O tipping point, é o momento em que a mudança acelera de uma forma impressionante.

A assinatura do Tratado de Lisboa é uma oportunidade única. Representa um tipping point.

1. Estão milhares e milhares de estrangeiros em Portugal.

2. A presidência da UE está a transmitir uma imagem bastante positiva do nosso País.

3. No estrangeiro, há a ideia de que somos um País que criou uma agenda ambiciosa e que está a ser capaz de a executar até ao mais pequeno detalhe.

4. É assim que se ganha o respeito internacional.

Este tipping point surge na altura em que estamos a conseguir resolver diversos problemas que pareciam não ter solução.

1. As finanças públicas passaram a cumprir os mínimos exigidos aos países do Euro.

2. A OCDE acaba de projectar que o crescimento do PIB português em 2008 já poderá ser superior ao da zona Euro. Vamos ver.

3. No combate às alterações climáticas, estamos em 12.º lugar no mundo, deixando para trás a grande distância países como a França, a Finlândia e a Espanha.

4. Durante a Presidência, tenho constatado que, onde quer que vamos, somos tratados como um País que é levado a sério.

Hoje em dia, mesmo os portugueses mais pessimistas e rezingões têm alguma dificuldade em não concordar que:

  • Somos uma dos países da Europa que tem menos dias de chuva por ano.
  • Criámos o melhor destino de golfe da Europa continental e temos dezenas de praias com bandeira azul.
  • Temos uma diversidade e riqueza de património que não é fácil de igualar, desde os Jerónimos à Batalha, passando pelo Convento de Cristo e o Solar de Mateus.
  • Há uma actividade cultural cada vez mais rica, com instituições de nível internacional como a Fundação de Serralves e o Museu Colecção Berardo.
  • Actualmente, podem-se ver em Portugal exposições de Raushenberg, Vic Muniz, Robert Indiana, além da colecção do Museu Hermitage.
  • Somos o maior produtor europeu de semi-condutores, de auto-rádios e de esquentadores.
  • Há indústrias tradicionais em Portugal que têm uma grande capacidade de inovação e design.
  • Por exemplo, o calçado português é o 2.º no mundo em termos de valor unitário, logo a seguir ao italiano.
  • Em Bruxelas, a YDreams foi uma das vedetas do Innovation Day da Microsoft .

Dando como adquirido que este é o momento ideal para relançar a imagem, faltavam apenas duas condições para que este projecto se tornasse uma realidade.

A 1ª condição era identificar um número limitado de mensagens.

Limitámo-nos a duas porque, como um dia disse o grande arquitecto Mies van de Rohe, nestas matérias «menos significa mais».

  • Uma das mensagens tem a ver com as energias renováveis.
    • As energias renováveis são uma tendência de dimensão mundial.
    • Estamos a ter grande sucesso nas energias renováveis, que são uma das chaves para resolver o desafio criado pela forte dependência de combustíveis fósseis e pelas emissões de CO2.
    • As energias renováveis são uma das chaves para evitarmos uma situação gravíssima.
    • Nas energias renováveis, passámos a ser no momento certo num dos líderes a nível mundial.
      • Nas energias renováveis, Portugal ocupa o 3.º lugar europeu, logo atrás da Suécia e da Áustria.
      • Temos a 4.ª empresa do mundo.
      • É em Portugal que foi construída a maior central fotovoltaica do mundo.
    • Estamos finalmente a aproveitar as grandes riquezas naturais que são a água e o vento.
    • A generalidade dos portugueses identifica-se com esta aposta nas energias renováveis.
  • A outra mensagem é sobre a nova geração de talentos portugueses que se estão a afirmar a nível mundial.
    • Há uma nova geração de portugueses que não tem apenas um talento excepcional.
    • Tem o carácter necessário para se afirmar no mundo da globalização.
    • Tem garra e gana de vencer.
      • É isso que leva José Mourinho a dizer que é «the special one».
      • Marisa a cantar em palcos de todo o mundo, de Moscovo a Los Angeles.
      • Nelson Évora a não sentir dores de burro quando salta para a medalha de ouro no campeonato do mundo.
      • Miguel Câncio a criar o Man Ray e os Buda Bar em Paris.
      • Joana Vasconcelos a expor em Veneza.
      • Carmo Fonseca a publicar o resultado dos seus trabalhos na melhores revistas internacionais.
      • Vanessa Fernandes a dar 1 min. de vantagem à sua mais directa concorrente no Campeonato do mundo - até tinha tempo para parar e tomar um café.
      • E Cristiano Ronaldo a esgotar todos os superlativos.

Era necessário lançar este projecto antes da assinatura do Tratado de Lisboa. Por isso, tivemos cerca de 4 semanas para concretizar uma ideia que andava a ser amadurecida há cerca de 2 anos.

Foi preciso montar rapidamente uma equipa que acreditasse neste projecto e tivesse uma grande capacidade de execução. Por isso, eu quero dar os meus parabéns ao

  • Bernardo Trindade, Secretário de Estado do Turismo, e Luís Patrão, Presidente do Turismo de Portugal.
  • Frederico Costa, do Turismo de Portugal, e Vital Morgado, da AICEP;
  • Pedro Bidarra e João Wengorovius, da BBDO em Lisboa;
  • Graham Lancaster, da RSCG em Londres;
  • Nick Night e toda a sua equipa;
  • Peter Mendelson, Comissário Europeu para o Comércio, e Jean Claude Baumgartner, Presidente da Confederação Mundial do Turismo.
  • Acima de tudo, agradeço a todos os portugueses que estão a trabalhar para que a nossa aposta nas energias renováveis seja um grande sucesso, e
  • Ao José Mourinho, Cristiano Ronaldo, Vanessa Fernandes, Nelson Évora, Miguel Câncio Martins, Marisa, Carmo Fonseca e Joana Vasconcelos por terem aceite participar neste projecto.

Não há palavras para descrever a admiração que tenho por vocês todos.

Ontem, a imprensa inglesa não falava de outra coisa do que de José Mourinho.

O Sunday Times dizia, e passo a citar, que Mourinho é o seleccionador ideal para a Inglaterra porque «não tem medo de fazer mudanças radicais e sabe suscitar a admiração».

Quando Lennon e McCartney definiram os contornos da música Pop nos anos 60, eles também não tiveram medo de fazer mudanças radicais e souberam suscitar a admiração.

Quando Bill Gates criou a Microsoft, ele também fez mudanças radicais e suscitou a admiração.

O mesmo sucedeu com a Irlanda, no processo que a conduziu a ser o país mais rico da Europa.

A imagem dos vencedores da era da globalização é esta.

A imagem com que teremos de alinhar, se nos pretendemos destacar da média, é precisamente esta.

O mundo da globalização é um mundo de mudança.

Queremos todos associar a imagem de Portugal à de um País que olha para a frente

Que está no pelotão da frente na corrida às energias renováveis;

Que tem uma geração de jovens com garra para se afirmarem a nível global.

António Damásio, que também é um grande português, descobriu um dia que há um hemisfério cerebral que comanda a razão e outro a emoção e que há uma luta permanente entre os dois.

Não se trata de «penso, logo existo», mas também, de «sinto, logo existo».

Quero-vos dizer que a razão pela qual eu acredito que esta campanha vai ter sucesso é porque,

  • No fundo, nós temos, todos, um sentimento muito forte por Portugal,
  • Temos um grande desejo de que o nosso País seja visto de uma forma cada vez melhor.
  • No fundo, ao criar uma imagem melhor de Portugal, nós estamos todos a transmitir uma imagem melhor de nós próprios.
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