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Compromisso com a sustentabilidade no 135º aniversário da Carris


2007-09-18

Intervenção da Secretária de Estado dos Transportes no 135º Aniversário da Companhia Carris de Ferro de Lisboa

(Só faz fé a versão efectivamente proferida)

Senhor Presidente e Senhores Administradores da Carris
Senhor Presidente da Mesa da Assembleia Geral
Senhor Vice-Presidente da Mesa da Assembleia Geral
Senhor Secretário Geral da UITP
Senhores Trabalhadores da Carris
Senhoras e Senhores

É com grande satisfação que me associo às comemorações do 135.º Aniversário da Carris.

As minhas primeiras palavras são, por isso, de felicitação à Empresa, ao seu Conselho de Administração e a todos os que nela trabalham.

Quero, também, saudar o Secretário-Geral da UITP [União Internacional dos Transportes Públicos] que, com a sua presença, honra a Carris e a todos nós.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Celebrar 135 anos é, sem dúvida, um marco com um enorme significado, porque só é possível a uma Empresa ter uma existência tão longa quando da sua acção resulte progresso para a comunidade em que se encontra inserida.

Importa, por isso, relevar o contributo que a Carris, ao longo dos seus 135 anos, foi capaz de prestar à mobilidade em Lisboa e na sua Área Metropolitana.

Facilmente se constatará que, em tão longo período, a Cidade e a sua envolvente mudaram muito, e as necessidades de mobilidade se alteraram, verificando-se que a Carris foi sendo capaz de definir soluções adequadas, alterando várias vezes o seu modelo de organização e de funcionamento, para se adaptar e oferecer soluções concretas para a mobilidade urbana, algumas vezes com soluções inovadoras.

Por isso, a Carris é hoje detentora, na sua esfera de actividade, de um conhecimento acumulado único, o que faz dela uma Empresa respeitada, detentora de uma marca forte e com elevado valor.

Por outro lado, uma Empresa com 135 anos tem uma enorme responsabilidade: a de ser capaz de continuar a enfrentar os desafios que, diariamente, se lhe colocam, encontrando novas respostas.

Respostas modernas, algumas vezes ousadas, que lhe assegurem um futuro sólido e duradouro, o que, no tempo actual, só será possível se a Empresa trilhar caminhos de maior eficácia e eficiência, caminhos que assegurem a oferta de serviços com elevados padrões de qualidade.

Pretende-se, não apenas, assegurar a fidelização dos Clientes actuais como, também, abrir espaço à captação de novos segmentos do mercado da mobilidade, com isso, ganhando novos Clientes para o Transporte Público.

Nos últimos anos, a Carris tem dado sinais concretos de estar ciente de que a construção do seu futuro, num contexto de acelerada e profunda mudança, caracterizada por grande competitividade e exigência, implica novos paradigmas, impondo maior exigência e rigor.

Tenho seguido com a maior atenção, como aliás é meu dever enquanto membro do Governo com a Tutela dos Transportes, a actuação da Carris, realçando as mudanças que se têm verificado na Empresa, que avalio de forma positiva.

A certificação da Empresa e de um número crescente das suas carreiras, o rejuvenescimento do seu pessoal tripulante, a renovação da frota de autocarros, a implementação da primeira fase da reestruturação da Rede (Rede 7), a comunicação com o mercado, a avaliação crescentemente positiva por parte dos seus clientes, ao mesmo tempo que tem vindo a melhorar os seus resultados operacionais, fundamentam a minha avaliação.

A Carris tem sido exemplo de que é possível adoptar boas práticas de gestão no Sector Empresarial do Estado.

Felicito, por isso, todos os que, através do seu trabalho, têm permitido um melhor desempenho da Empresa.

É preciso, porém, continuar este caminho de progresso, contribuindo para a afirmação do Transporte Público como solução válida para a mobilidade urbana, a qual não pode continuar tão dependente do automóvel.

Por isso importa prosseguir e criar condições que assegurem ao transporte colectivo uma quota de mercado crescente. Só desta forma se conseguirá melhorar a qualidade de vida na Cidade, diminuindo o congestionamento, a poluição e a sinistralidade.

Os compromissos internacionais assumidos por Portugal, designadamente, no âmbito do Protocolo de Quioto, exigem, também, uma nova abordagem para a mobilidade urbana.

Não se trata de desencadear um combate feroz contra o automóvel, mas, antes, de o integrar nas soluções de intermodalidade que, nas sociedades modernas e desenvolvidas, são a resposta equilibrada para as necessidades crescentes de mobilidade, designadamente nas áreas urbanas.

O lema deste ano da Semana Europeia da Mobilidade, «Melhores Ruas para Todos» tem, justamente, presente este conceito.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

O Governo definiu e tem vindo a aplicar medidas concretas, facilitadoras da mudança de paradigmas, promovendo a utilização crescente do Transporte Público.

E se é verdade que a actuação dos operadores de transporte não basta para que tal aconteça, é, igualmente, verdade que esta terá de constituir o eixo central desse novo modelo.

A oferta de serviços com elevados padrões de qualidade, bem articulados entre si, capazes de assegurarem deslocações origem-destino com altos padrões de conforto, pontualidade e regularidade, são, sem dúvida, o caminho que os operadores de transporte terão de continuar a percorrer.

Mas são também essenciais sistemas de informação bem estruturados e amigáveis, uma comunicação e marketing cuidados, a par de sistemas de Bilhética modernos, facilitadores e simplificadores.

Só assim conseguiremos o que, seguramente, todos ambicionamos: mais e melhores transportes públicos, capazes de captarem um número crescente de clientes, com isto diminuindo o número daqueles que diariamente utilizam, de forma excessiva, o automóvel.

Para além de outras, há razões de sustentabilidade a exigir que estas mudanças ocorram.

Não tenho quaisquer dúvidas de que é crescente a consciência dos Cidadãos, bem como das empresas e demais organizações, de que importa olhar, com grande atenção e cuidado, para as questões que se relacionam com a construção de sociedades mais sustentáveis. Esta consciência está cada vez mais presente, alterando os nossos comportamentos e práticas quotidianas.

Esta não é apenas uma questão de Governo. É de todos. Por isso, tem de ser reflectida, não apenas no discurso mas, sobretudo, nas decisões que permanentemente tomamos.

A Carris, ao assinar hoje, aqui, com a UITP, a Carta de Compromisso com a Sustentabilidade, com o estatuto de compromisso máximo, de full signatory, assumiu, publicamente, quer no plano nacional, quer no plano internacional, que as suas práticas organizacionais estão e estarão sempre alinhadas com esta preocupação.

É uma decisão que realço e valorizo.

Aproveito para felicitar a UITP, na pessoa do seu Secretário-Geral, Senhor Hans Rat, pelo trabalho relevante que esta Organização tem vindo a realizar, em prol do desenvolvimento do Transporte Público e, de forma especial, o contributo destacado que tem dado para a definição e divulgação das boas práticas no sector, contribuindo para a construção de sociedades mais desenvolvidas e sustentáveis.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

O Governo, desde a primeira hora, deixou claro que a questão das empresas do Sector Empresarial do Estado se iria pautar por uma nova abordagem, com maior exigência, rigor e transparência.

Neste contexto, o Governo tem vindo a assinar com várias empresas e Organismos, Contratos de Gestão, nos quais se estabelecem, com toda a clareza, orientações específicas enquadradas nas orientações gerais definidos pelo Governo para o respectivo sector de actividade e se definem metas concretas para um conjunto de indicadores relevantes.

O objectivo é atingir níveis de excelência na gestão das empresas e de alguns organismos públicos, acabando com a ideia, tantas vezes injusta, de que o Estado é incapaz de adoptar as boas práticas e de obter os melhores resultados.

É imperativo definir e concretizar comportamentos que viabilizem maiores níveis de eficácia e de eficiência no Estado.

É uma exigência dos Cidadãos que querem ver os seus impostos adequadamente aplicados, ansiando por disporem de serviços públicos com elevados padrões de qualidade.

Cumpre, pois, a todos os que têm responsabilidades na vida pública, dar o exemplo, através de seus comportamentos, de que o objectivo maior é o bem comum, o progresso e o desenvolvimento da nossa sociedade.

Por isso, esta cultura de rigor, de exigência e de transparência tem de dominar o dia-a-dia das entidades púbicas.

As empresas do Sector Empresarial do Estado estão, pois, na primeira linha desta actuação, ao assumirem, pela assinatura dos Contratos de Gestão, compromissos de excelência no tocante ao seu desempenho.

É o caso da Carris que faz parte do grupo das empresas que já assinaram, com o Estado, um Contrato de Gestão.

Este Contrato de Gestão, que reflecte as Orientações Estratégicas definidas pelo Governo para a Carris, estabelece, entre outros, objectivos quantificados de evolução de proveitos e de custos, de passageiros transportados, de desempenho ambiental, de contributo para o reforço do transporte público e da intermodalidade e, claro está, de aumento da qualidade do serviço oferecido.

Sei que a Empresa tem estado concentrada na realização das acções necessárias ao cumprimento dos compromissos que subscreveu e conheço as acções que estão planeadas executar nos próximos meses.

De entre estas, quero salientar a 2ª fase da Reestruturação da Rede, isto é, a continuação da implementação da Rede 7.

Os resultados globalmente positivos alcançados na 1ª fase, reflectidos no aumento do nível de satisfação dos clientes, conforme inquérito recente, estimulam a concretização cuidadosa deste segundo passo.

Considero este processo da maior importância, não apenas para a Carris como, também, para o reforço da utilização do transporte público na Área Metropolitana de Lisboa e em particular na Cidade.

O êxito exige que a Empresa, uma vez mais, implemente as mudanças previstas na sua Rede em diálogo permanente com as várias partes envolvidas, designadamente com a Câmara Municipal de Lisboa, divulgando toda a informação necessária à boa compreensão, por parte dos clientes, destas mudanças.

Não tenho quaisquer dúvidas de que a Carris tudo fará para continuar a cumprir, no futuro próximo, os objectivos que estão definidos e acordados.

Ganhar esta aposta é, pois, o vosso desafio.

E é também o do Governo. Porque conseguindo-o teremos prestado um relevante contributo, não apenas para a melhoria da Empresa e para a construção do seu futuro, mas também, para o desenvolvimento da Cidade, garantindo-lhe melhores padrões de mobilidade e, com isso, melhor qualidade de vida.

Em síntese, teremos contribuído para viabilizar uma Cidade mais competitiva e mais sustentável.

Termino, desejando à Empresa, à sua Administração e a todos os que aqui trabalham as maiores felicidades para que o futuro seja de modernização e progresso para a Carris.




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